No clima festivo da Feira Estadual, atores divulgavam um joguinho de cirugias (Foto: Cedê Silva).
RALEIGH (NC) – Foi intenso.
Apos mais de oito horas de voo Sao Paulo-Washington (sob um ar condicionado glacial), chegamos no aeroporto da capital americana.
Fomos recebidos com uma longa fila (que boas-vindas!) mas o processo naimigracao foi bem tranquilo. Nos dividiram em algumas filas. Assim que os oficiais perceberam que iam receber as mesmas respostas (“o que voceveio fazer nos Estados Unidos?”, e como se fosse ensaiado, “eu estouparticipando de um programa patrocinado pelo Departamento de Estado dosEstados Unidos”), deixaram os proximos passarem. Eu mesmo praticamentenao fui entrevistado.
Na fila ja se notava claramente que eramos brasileiros. E dificiljuntar vinte jovens universitarios do Brasil e mante-los quietos. Umacoisa muito legal e a mistura de sotaques. Tem gente de Sergipe, Para,Minas Gerais, Sao Paulo, Paraiba, Rio Grande do Sul, Parana, Goias, Riode Janeiro, Pernambuco. A impressao que tenho e que cada estrangeiroque ouve a gente pensa que somos de um lugar. Ninguem acha que falamosespanhol, mas ja ouvimos gente que nos dizendo que o portugues parecefrances, ou parece russo, ou parece italiano… acho que tem a ver como sotaque que cada um ouviu.
Opa, mas voltemos ao ponto.
A SALVADORA DA PATRIA – O voo Washington-Raleigh atrasou. Foi umagrande confusao, porque num certo momento o funcionario do aeroportoinformou que o voo so partiria num certo horario. Alguns do grupoaproveitaram, entao, para conhecer outras partes do aeroporto e sairamdo terminal.
So que, de repente, fomos chamados a entrar no voo! Como avisar os outros?
Fomos salvos por duas coisas. O Gregor,pernambucano que faz Ciencia Politica na UFPE, chamou, em portugues, osrestantes, pelo mesmo sistema de audio que o aeroporto usa. OK, elesestavam em outro terminal e nao ouviram, mas foi bacana e isso nos deu algum tempo.
Outra, tinha uma mulher que reclamava intensamente dentro do aviao. Naosabemos do que. Acho que no final ela atrasou a decolagem tanto que deutempo para que os outros voltassem ao terminal no tempo originalmenteprevisto pelo funcionario. Ela salvou a patria.
Alem de grandes coxas de peru por US$7.50 e dezenas de bichos de pelucia, a Feira
Estadual oferecia outras atracoes unicas, como a vaca de seis pernas e o zebrurro (Foto: Cedê Silva).
BIZARRICES – Chegando no aeroporto em Raleigh, fomos rapidamente apresentados aos professores Michael Bustle e David McNeill (ou simplesmente Michael e David, como os chamamos) da Universidade Estadual da Carolina do Norte. Tambem conhecemos o Derrick Lovick, gerente do escritorio internacional da universidade. Todos sao muito gente fina.
Do aeroporto fomos direto para a Feira Estadual. Era o ultimo dia, entao tinhamos que aproveitar a oportunidade!
Era exatamente como voce imagina em filmes.
Roda gigante, montanha-russa, joguinhos de atirar agua para ganharbichos de pelucia, dezenas de barraquinhas de comida e doces, familiassorridentes… e corrida de porco.
Corrida de porco?
Sim, corrida de porco! Vimos num cercadinho uma emocionante (e comnarracao!) corrida de porcos, e depois teve corrida de ganso,cachorro, o que voce imaginar. Um evento extremamente caipira,extremamente divertido, extremamente pointless, extremamente familia… mais americano impossivel, heh?
Mas nem so de mercadorias e animais e comida vive a feira estadual. Deu pra ver o tanto que Raleigh é bonita (e fria! brrr).
Lagoa na entrada da Feira, ao cair da tarde (Foto: Cedê Silva).
RACA – Algo sobre raça nosEstados Unidos nos chamou a atencao. Viamos familias negras e brancas,mas nao muita mistura. Entre jovens, porem, ocorre. Vi amigos deescola, negros e brancos, andando juntos. Falamos sobre isso com oDavid e ele disse que isso ocorreu mais por que era um evento familiar,entao era natural que vissemos grupos mais homogeneos. Ele esta certo.No comicio do Obama, quarta-feira, a integracao era maior (em breveposto sobre como foi o comicio).
Depois da feira – uma experiencia cultural inigualavel certamente – os professores pagaram um jantar para a gente no Red & Blue,restaurante de churrasco (ou o que os americanos chamam de churrasco,que e diferente do brasileiro mas nao menos saboroso). As porcoes eramgigantes – voces precisam ver o tamanto das costelas (ribs) – e quase tudo era muito bom.
Um dia cheio. Mas nada de descansar muito. Segunda de manha seriamos recebidos pela primeira-dama.
O que?
Yep. Essa historia eu conto no proximo post.
(Cedê Silva)
0 respostas Até agora ↓
Ainda não há comentários... chute o balde preenchendo o formulário abaixo.